El sueño del caballero
terça-feira
quarta-feira
28 Março 2023
A Felicidade
Tristeza não tem fim
Felicidade sim…
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou da jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim…
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.
A felicidade é um coisa louca
Mas tão delicada, também
Tem flores e amores de todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo isso ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato sempre dela muito bem.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim…
Vinicius de Moraes
terça-feira
7 Fevereiro 2023
“If you're going to try, go all the way. Otherwise, don't even start. This could mean losing girlfriends, wives, relatives and maybe even your mind. It could mean not eating for three or four days. It could mean freezing on a park bench. It could mean jail. It could mean derision. It could mean mockery--isolation. Isolation is the gift. All the others are a test of your endurance, of how much you really want to do it. And, you'll do it, despite rejection and the worst odds. And it will be better than anything else you can imagine. If you're going to try, go all the way. There is no other feeling like that. You will be alone with the gods, and the nights will flame with fire. You will ride life straight to perfect laughter. It's the only good fight there is.”
Charles Bukowski (1920-1994)
One may even realize that the "go all the way" may be as senseless as not "go all the way", though necessary (?).
segunda-feira
7 Junho 2020
@ Montreux Jazz Festival, 1976
6 Junho 2020
Música de Charles Mingus e Shafi Hadis (Curtis Porter).
Sugiro uma viagem ao trabalho extraordinário de Cassavetes. Sintam o murro no estômago. Tem certamente o poder de nos ajudar a encontrar uma filosofia.
sábado
30 Dezembro 2018
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
quarta-feira
31 Julho 2017
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira
6 Junho 2017
Estar vivo
é abrir uma gaveta
na cozinha,
tirar uma faca de cabo preto,
descascar uma laranja.
Viver é outra coisa:
deixas a gaveta fechada
e arrancas tudo
com unhas e dentes,
o sabor amargo da casca,
de tão doce,
não o esqueces.
Luís Filipe Parrado
domingo
28 Janeiro 2017
Thank you John, sweet Romeo!
Obrigada Juliet, dear Anne...
Yes, you are a human being, a man!
Vi o filme em criança, não esqueci...não esqueço.
quinta-feira
terça-feira
26 Setembro 2016
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa
segunda-feira
19 Setembro 2016 (II)
sobrevive-se sendo,
a pertinácia de ser
escuda do não-s...
enfraquece o ladrão de almas
se o palco treme
não importa re-re-re-rrrrrrrrr
tentar é naufragar
ser é navegar
infinitamente ser,
infinitamente estar-s.
Ayres
domingo
19 Setembro 2016 (I)
Not the attendance of stones,
nor the applauding wind,
shall let you know
you have arrived,
not the sea that celebrates
only departures,
nor the mountains,
nor the dying cities.
Nothing will tell you
where you are.
Each moment is a place
you’ve never been.
You can walk
believing you cast
a light around you.
But how will you know?
The present is always dark.
Its maps are black,
rising from nothing,
describing,
in their slow ascent
into themselves,
their own voyage,
its emptiness,
the bleak, temperate
necessity of its completion.
As they rise into being
they are like breath.
And if they are studied at all
it is only to find,
too late, what you thought
were concerns of yours
do not exist.
Your house is not marked
on any of them,
nor are your friends,
waiting for you to appear,
nor are your enemies,
listing your faults.
Only you are there,
saying hello
to what you will be,
and the black grass
is holding up the black stars.
Mark Strand
terça-feira
3 Maio 2016 (II)
not pasted on some other place,
for if it were where it is not,
you might dislike your nose a lot.
Imagine if your precious nose
were sandwiched in between your toes,
that clearly would not be a treat,
for you'd be forced to smell your feet.
Your nose would be a source of dread
were it attached atop your head,
it soon would drive you to despair,
forever tickled by your hair.
Within your ear, your nose would be
an absolute catastrophe,
for when you were obliged to sneeze,
your brain would rattle from the breeze.
Your nose, instead, through thick and thin,
remains between your eyes and chin,
not pasted on some other place--
be glad your nose is on your face!
Jack Prelutsky
3 Maio 2016 (I)
is not worth dying, if
(and when) roses complain
their beauties are in vain
but though mankind persuades
itself that every weed's
a rose, roses (you feel
certain) will only smile
e. e. cummings
domingo
22 Janeiro 2016
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
de Mia Couto,
in Raiz de Orvalho
quarta-feira
segunda-feira
22 Novembro 2015
if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.
if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.
go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else
you can imagine.
if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.
do it, do it, do it.
do it.
all the way
all the way.
you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.
Charles Bukowski
terça-feira
5 Outubro 2015
Ascenseur pour l'échafaud, realizado por Louis Malle.
Com a participação de Jeanne Moreau e Miles Davis.
Encontro de gigantes.
Perturbadoramente belo. Obrigada!
quarta-feira
11 Agosto 2015
O meu nome é JÁ
My name is NOW
Eu grito o resto do resto
I cry out the surplus
A ciência da perspicácia
The science of sagacity
O jardim passional da alma
The passionate inner-garden
A escolha da melhor parte
The choice pick
O meu nome é acção: ANA ANA
My name is deed: ME ME
Quando é que eu disse noli me tangere
When did I say don’t touch me
A linguagem do ser não são palavras
The language of being is wordless
Ana Hatherly
Obrigada Ana.
Não publicado*A tradução de cada verso é parte integrante do texto e dele inseparável.
24 Junho 2015
Go placidly amid the noise and haste, and remember what peace there may be in silence.
As far as possible without surrender be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly; and listen to others, even the dull and ignorant; they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons, they are vexations to the spirit.
If you compare yourself with others, you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your career, however humble; it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs; for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is; many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be critical about love; for in the face of all aridity and disenchantment it is as perennial as the grass.
Take kindly the counsel of the years, gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune. But do not distress yourself with imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness. Beyond a wholesome discipline, be gentle with yourself.
You are a child of the universe, no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you, no doubt the universe is unfolding as it should.
Therefore be at peace with God, whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations, in the noisy confusion of life keep peace with your soul.
With all its sham, drudgery and broken dreams, it is still a beautiful world. Be careful. Strive to be happy.
Max Ehrmann, 1927
domingo
20 Junho 2015
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
Dylan Thomas
Please,
Do rage, rage....rage against the birth of darkness.
14 Junho 2015
Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.
Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos
segunda-feira
8 Março 2015 II
Projecto de Sucessão
Para o Mário Henrique
Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra
Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos
Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
por-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se índias.
António Maria Lisboa
in "Ossóptico e Outros Poemas"
8 Março 2015 I
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
Alexandre O´Neill
quinta-feira
28 Outubro 2014
quarta-feira
25 Junho 2014
A orelha esquerda tinha frio e fome. Gostaria de saber se a orelha direita sentia o mesmo ou se se aquecia com boné, com touca, eventualmente com radiador se estivesse a funcionar, e se no frigorífico deixara um pouco de frango ou iogurte de magnólias. Enfim, a orelha esquerda queria saber se a orelha direita tinha mantimento e aquecimento.
O problema é que uma orelha nunca nunca viu a outra embora cresçam na mesma terra, perdão, na mesma cabeça, durmam na mesma cama e até na mesma almofada. Maldita situação geográfica, maldita esquerda e direita, maldito sistema de antípodas (depois faço um desenho para explicar o que é antípoda). Pois por causa de tudo isto, ambas as orelhas nunca se viram mutuamente e embora sendo irmãs, ou primas ou digamos familiares chegados, nem podiam dar beijinhos uma à outra, ser amigas, zangarem-se, consolarem-se, auxiliarem-se em caso de necessidade, enfim conviver.
A orelha (esquerda) sorveu um pouco de café de chicória aquecido e pensou: há sempre alguém que sabe se a orelha direita é bonita e pequenina e bem torneada como eu, modéstia à parte. Seria bom perguntar-lhe. Mas a quem? Até o senhor de seu nariz, de seus olhos. de sua boca, onde nós ambas temos função auditiva, não é capaz de ver ambas as orelhas. Nem uma! Tinha de se recorrer a terceiros, mas como fazer? Não se pode parar alguém na rua e dizer-lhe: «Ouça lá, compadre, observe bem as orelhas e diga-me o que vê.» Se fosse um velho reformado, responderia: - «Não vejo nada, menina. Os olhos já não servem e ontem parti os óculos.» Se fosse um polícia, diria: »Tem bilhete de identidade?». Se fosse uma mãe passeando um carrinho para gémeos, com gémeos muitos parecidos sobretudo um, diria: - «Olha, também são gémeos de orelhas, que engraçado! Tem na família gémeos ou aconteceu por acaso?» Se fosse o vendedor de amendoins, diria: - «Toma lá um amendoim para cada orelha, mas não maces mais, hoje o negócio corre mal.»
É difícil perguntar a terceiros alguma coisa. Não têm tempo, não se interessam, fecham a boca à chave, não estavam, não estão, não estarão.
A orelha esquerda tinha frio e fome mas tinha também frio porque estava só e tinha fome de saber coisas. Compreendeu: será tudo melhor quando tudo e todos souberem de tudo de todos, quando esquerda e direita, alto e baixo, perto e longe se confundirem, quando os frigoríficos aquecerem os friorentos e os radiadores derem maçãs e peras durante o inverno.
A orelha esquerda pensou ainda: pensar nisto é perder-se um bocadinho, mas só os perdidos serão achados, como diz a bíblia das orelhas.
Jorge Listopad
Mar seco, gelado quente. São 21 de repente
domingo
10 Maio 2014
Avancemos também nós!
Com as nossas tropas interiores
derrubar barreiras e obstáculos.
Derrotar.... dores.
Conquistar a liberdade em cada dia
desta vida que é nossa, é tua.
Dela sermos senhores.
Trilhar caminhos de felicidade
carreiros de sorrisos,
flores....e ....
Amores.
by Ayres
quarta-feira
23 Abril 2014
polar(a,7 - 0.5*sin(a) + 2.5*sin(3*a) + 2*sin(5*a) - 1.7*sin(7*a) + 3*cos(2*a) - 2*cos(4*a) - 0.4*cos(16*a))
sexta-feira
10 Abril 2014
O Me! O Life!
Oh me! Oh life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill’d with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew’d,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?
Answer.
That you are here—that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.
by Walt Whitman
terça-feira
domingo
26 Julho 2013
amante de trece años, Novalis creyó en el otro mundo;
mas yo creo en soles, nieves, árboles,
en la mariposa blanca sobre una rosa roja,
en la hierba que ondula y en el día que muere,
porque solo aquí como un don fugaz puedo abrazarte,
al fin como un dios crearme en tus pupilas,
porque te pierdo, con la tierra que era mía.
sábado
5 Julho 2013
Something is rotten in the state of Denmark.
in Hamlet by W. Shakespeare
domingo
8 Maio 2013
15 Maio 2013
My life has been the poem I would have writ
But I could not both live and utter it.
Henry David Thoreau
quarta-feira
24 Abril 2013
Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
Xutos & Pontapés
(ouvir...)
terça-feira
16 Abril 2013
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira
quinta-feira
6 Fevereiro 2013
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
terça-feira
10 Dezembro 2012
9.
there are so many tictoc
clocks everywhere telling people
what toctic time it is for
tictic instance five toc minutes toc
past six tic
Spring is not regulated and does
not get out of order nor do
its hands a little jerking move
over numbers slowly
we do not
wind it up it has no weights
springs wheels inside of
its slender self no indeed dear
nothing of the kind.
(So,when kiss Spring comes
we'll kiss each kiss other on kiss the kiss
lips because tic clocks toc don't make
a toctic difference
to kisskiss you and to
kiss me)
by E. E. Cumming
sexta-feira
1 Novembro 2012
terça-feira
29 Outubro 2012
It little profits that an idle king,
By this still hearth, among these barren crags,
Match'd with an aged wife, I mete and dole
Unequal laws unto a savage race,
That hoard, and sleep, and feed, and know not me.
I cannot rest from travel: I will drink
Life to the lees: All times I have enjoy'd
Greatly, have suffer'd greatly, both with those
That loved me, and alone, on shore, and when
Thro' scudding drifts the rainy Hyades
Vext the dim sea: I am become a name;
For always roaming with a hungry heart
Much have I seen and known; cities of men
And manners, climates, councils, governments,
Myself not least, but honour'd of them all;
And drunk delight of battle with my peers,
Far on the ringing plains of windy Troy.
I am a part of all that I have met;
Yet all experience is an arch wherethro'
Gleams that untravell'd world whose margin fades
For ever and forever when I move.
How dull it is to pause, to make an end,
To rust unburnish'd, not to shine in use!
As tho' to breathe were life! Life piled on life
Were all too little, and of one to me
Little remains: but every hour is saved
From that eternal silence, something more,
A bringer of new things; and vile it were
For some three suns to store and hoard myself,
And this gray spirit yearning in desire
To follow knowledge like a sinking star,
Beyond the utmost bound of human thought.
This is my son, mine own Telemachus,
To whom I leave the sceptre and the isle,--
Well-loved of me, discerning to fulfil
This labour, by slow prudence to make mild
A rugged people, and thro' soft degrees
Subdue them to the useful and the good.
Most blameless is he, centred in the sphere
Of common duties, decent not to fail
In offices of tenderness, and pay
Meet adoration to my household gods,
When I am gone. He works his work, I mine.
There lies the port; the vessel puffs her sail:
There gloom the dark, broad seas. My mariners,
Souls that have toil'd, and wrought, and thought with me--
That ever with a frolic welcome took
The thunder and the sunshine, and opposed
Free hearts, free foreheads--you and I are old;
Old age hath yet his honour and his toil;
Death closes all: but something ere the end,
Some work of noble note, may yet be done,
Not unbecoming men that strove with Gods.
The lights begin to twinkle from the rocks:
The long day wanes: the slow moon climbs: the deep
Moans round with many voices. Come, my friends,
'T is not too late to seek a newer world.
Push off, and sitting well in order smite
The sounding furrows; for my purpose holds
To sail beyond the sunset, and the baths
Of all the western stars, until I die.
It may be that the gulfs will wash us down:
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho' much is taken, much abides; and tho'
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven, that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.
Alfred Tennyson
"Ulysses", from Poems, In Two Volumes (London: Moxon, 1842)
sábado
27 Outubro 2012 (II)
De tanto olhar o sol,
queimei os olhos,
De tanto amar a vida enlouqueci.
Agora sou no mundo esta negrura.
À procura
Da luz e do juízo que perdi.
Miguel Torga
27 Outubro 2012 (I)
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Vinicius de Moraes
segunda-feira
13 Maio 2012
VII
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII"
Heterónimo de Fernando Pessoa
VII
From my village I see as much in the Universe as you can see from earth...
So my village is as big as any other land
Because I’m the size of what I see,
Not the size of my height...
In the cities life is smaller
Than here in my house on top of this hill.
In the city the big houses shut your sight with a key,
Hide the horizon, push your eyes far away from all the sky,
Make us smaller because they take away what our eyes can give us,
And make us poor because our only wealth is seeing.
terça-feira
16 Abril 2012
If I sometimes say flowers smile
And if I say rivers sing,
It’s not because I believe there are smiles in flowers
And songs in the running of rivers...
It’s because that way I make false men feel more
The truly real existence of flowers and rivers.
Because I write for those who read me sometimes I sacrifice myself
To their stupidity of meanings...
I don’t agree with myself but I forgive myself,
Because only I am this important thing, an interpreter of Nature,
Because people don’t understand her language,
Because it’s not a language at all.
Alberto Caeiro
sexta-feira
17 Novembro 2011
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
sábado
11 Novembro 2011 (II)
Em Ersília, para estabelecer as ligações que orientam a vida da cidade, os habitantes estendem fios entre as arestas das casas, brancos ou pretos ou cinza ou pretos-e-brancos, de acordo com as relações de parentesco, troca, autoridade, representação. Quando os fios são tantos que não se pode mais atravessar, os habitantes vão embora: as casas são desmontadas; restam apenas os fios e os sustentáculos dos fios.
Do costado de um morro, acampados com os móveis de casa, os prófugos de Ersília olham para o enredo de fios estendidos e os postes que se enlevam na planície. Aquela continua a ser a cidade de Ersília, e eles não são nada.
Reconstroem Ersília em outro lugar. Tecem com os fios uma figura semelhante, mas gostariam que fosse mais complicada e ao mesmo tempo mais regular do que a outra. Depois abadonam-na e transferem-se juntamente com as casas para ainda mais longe.
Deste modo, viajando-se no território de Ersília, depara-se com as ruínas de cidades abandonadas, sem as muralhas que não duram, sem os ossos dos mortos que rolam com o vento: teias de aranha de relações intricadas à procura de uma forma.
Italo Calvino in As cidades invisíveis
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Trading Cities 4
In Ersilia, to establish the relationships that sustain the city's life, the inhabitants stretch strings from the corners of the houses, white or black or gray or black-and-white according to whether they mark a relationdhip of blood, of trade, authority, agency. When the strings become so numerous that you can no longer pass among them, the inhabitants leave: the houses are dismantled; only the strings and their supports remain.
From a mountainside, camping with their household goods, Ersilia's refugees look at the labyrinth of taut strings and poles that rise in the plain. That is the city of Ersilia still, and they are nothing.
They rebuild Ersilia elsewhere. They weave a similar pattern of strings which they would like to be more complex and at the same time more regular than the other. Then they abandon it and take themselves and their houses still farther away.
Thus, when traveling in the territory of Ersilia, you come upon the ruins of abandoned cities, without the walls which do not last, without the bones of the dead which the wind rolls away: spiderwebs of intricate relationships seeking a form.
Italo Calvino in Invisible cities
11 Novembro 2011
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.
Eugénio de Andrade
sexta-feira
4 Novembro 2011
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
3 Novembro 2011
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
A pensar no meu pequeno Rafael.
Um beijinho da Tiiiii...Ana
terça-feira
31 Outubro 2011
Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória
Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta
Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças
Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Portugal, Portugal (ouvir aqui)
Palma's Gang
sexta-feira
20 Outubro 2011
L'Ame du Vin
Un soir, l'âme du vin chantait dans les bouteilles:
«Homme, vers toi je pousse, ô cher déshérité,
Sous ma prison de verre et mes cires vermeilles,
Un chant plein de lumière et de fraternité!
Je sais combien il faut, sur la colline en flamme,
De peine, de sueur et de soleil cuisant
Pour engendrer ma vie et pour me donner l'âme;
Mais je ne serai point ingrat ni malfaisant,
Car j'éprouve une joie immense quand je tombe
Dans le gosier d'un homme usé par ses travaux,
Et sa chaude poitrine est une douce tombe
Où je me plais bien mieux que dans mes froids caveaux.
Entends-tu retentir les refrains des dimanches
Et l'espoir qui gazouille en mon sein palpitant?
Les coudes sur la table et retroussant tes manches,
Tu me glorifieras et tu seras content;
J'allumerai les yeux de ta femme ravie;
À ton fils je rendrai sa force et ses couleurs
Et serai pour ce frêle athlète de la vie
L'huile qui raffermit les muscles des lutteurs.
En toi je tomberai, végétale ambroisie,
Grain précieux jeté par l'éternel Semeur,
Pour que de notre amour naisse la poésie
Qui jaillira vers Dieu comme une rare fleur!»
Charles Baudelaire,
Fleurs du mal
quinta-feira
5 Outubro 2011 (II)
Apontamento
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos, 1929
quarta-feira
5 Outubro 2011
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhai-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão
4 Outubro 2011
Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien :
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la nature, heureux comme avec une femme.
Arthur Rimbaud
Mars 1870.
un ami qui m'a envoyé. merci Nelson.
terça-feira
15 Agosto 2011
del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento,
mar sin olas, pájaros presos,
doradas fieras adormecidas,
topacios impíos como la verdad,
otoño en un claro del bosque
en donde la luz canta en el hombro
de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana
encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta,
espejos de este mundo,
puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea, páramo.
Octavio Paz
domingo
17 Julho 2011
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth.
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same.
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
por Robert Frost
sábado
15 Julho 2011 (II)
Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence
In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence
And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence
"Fools", said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words, like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence
And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sounds of silence
by Paul Simon
performance by P. Simon and A. Garfunkel
sexta-feira
15 Julho 2011
La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
II est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
— Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.
Charles Baudelaire
in Fleurs du mal
terça-feira
4 Julho 2011
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
Dylan Thomas
Rage, rage....rage against the birth of the dark.
3 Julho 2011
STRANGER! if you, passing, meet me,
and desire to speak to me, why should you not speak to me?
And why should I not speak to you?
Walt Whitman
segunda-feira
6 Junho 2011
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.
Mario Quintana (Caderno H)
5 Junho 2011
Jules et Jim
film réalisé par François Truffaut
dans cette scène: à la guitare Boris Bassiak (pseudonyme de Serge Rezvani) et voix de Jeanne Moreau; aussi Oskar Werner et Henri Serre
sábado
14 Maio 2011
Encontrei esta preciosidade em castelhano - a imagem contém um link para o livro. O primeiro livro de um outro alguém.

O texto é de Leif Kristianson.
Em Portugal a tradução é da autoria da Sophia de Mello Breyner Andresen e foi publicado pela Presença.
terça-feira
10 Maio 2011
Un hombre que cuida un jardín, como quería Voltaire.
El que agradece que en la tierra haya música.
El que descubre con placer una etimología.
Dos empleados que en un café del Sur juegan un silencioso ajedrez.
El ceramista que premedita un color y una forma.
El tipógrafo que compone bien esta página, que tal vez no le agrada.
Una mujer y un hombre que leen los tercetos finales de cierto canto.
El que acaricia a un animal dormido.
El que justifica o quiere justificar un mal que le han hecho.
El que agradece que en la tierra haya Stevenson.
El que prefiere que los otros tengan razón.
Esas personas, que se ignoran, están salvando el mundo.
Jorge Luis Borges
in La cifra, 1981.
9 Maio 2011
Hinos aos deuses, não.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude.
Bichos que lavram no chão,
Actuam como parecem,
Sem um disfarce que os mude.
Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilhões que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.
Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'
segunda-feira
2 Maio 2011
Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.
música por Henry Mancini
letra por Johnny Mercer
quinta-feira
27 Abril 2011
Alan Watts
25 Abril 2011
r(θ) = θ
r(θ) = sqrt (4 cos (2θ) ) - ly
1 * 2 u
A uma flor... um amigo,
por Ana Amaral
terça-feira
19 Abril 2011
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands
e. e. cummings
i miss you my friend
18 Abril 2011
O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros de miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra
e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo.
Manuel da Fonseca